Validar Sentimentos Não é “Passar a Mão na Cabeça”: A Diferença que Transforma a Birra

“Eu entendo que você está bravo porque queria o brinquedo”. Para muitos pais, frases como essa soam como ceder, como concordar com o comportamento inadequado da criança. Surge o medo de “passar a mão na cabeça” e criar um filho mimado. Mas aqui reside uma das distinções mais importantes e transformadoras da parentalidade consciente: validar o sentimento não é validar o comportamento.

Imagine que você está furioso com seu chefe por uma injustiça. Você desabafa com um amigo, e ele responde: “Não tem por que ficar bravo, é o trabalho dele”. Como você se sente? Invalidado, incompreendido e, provavelmente, com mais raiva ainda. Agora, imagine se ele dissesse: “Nossa, eu entendo sua raiva. Eu também ficaria furioso nessa situação”. Acolhedor, não? Você se sente visto e compreendido, e isso, por si só, já diminui a intensidade da emoção.

Com as crianças, o princípio é exatamente o mesmo. Todos os sentimentos são permitidos. Raiva, tristeza, frustração, ciúmes. O que não é permitido são todos os comportamentos. A criança tem o direito de sentir raiva por não poder comer um terceiro biscoito, mas ela não tem o direito de bater na mãe por causa disso.

Validar o sentimento é se conectar com a emoção por trás da birra. É se ajoelhar e dizer: “Filho, eu sei. É muito frustrante ter que parar de brincar para tomar banho. Eu entendo que você está chateado”. Nesse momento, a criança se sente compreendida. A necessidade de “gritar” sua emoção diminui, pois ela percebe que sua mensagem foi recebida.

É só depois de validar o sentimento que estabelecemos o limite no comportamento. A frase completa seria: “Eu entendo que você está chateado por ter que parar de brincar. É frustrante mesmo. E agora é a hora do banho. Você pode escolher vir andando ou como um aviãozinho”.

Validar sentimentos não cria crianças mimadas. Cria crianças com inteligência emocional. Crianças que aprendem que seus sentimentos são normais e aceitáveis, mas que existem formas adequadas de expressá-los. Ao fazer essa distinção clara entre o sentir e o agir, você para de lutar contra a emoção do seu filho e se torna um aliado. Você se torna o líder gentil que ele precisa para aprender a navegar pelo complexo mundo dos sentimentos, uma habilidade que o servirá por toda a vida.

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